Marte não foi apenas visitado. Acostumou-se.
A sonda Psyche da NASA passou pelo Planeta Vermelho em 15 de maio. A passagem estava próxima – cerca de 4.500 milhas acima da superfície. Essa proximidade não era para passear. Era um problema de física esperando para ser resolvido. A equipe deixou a gravidade de Marte se firmar, puxando a nave para uma trajetória mais rápida. Nenhum combustível queimado. Apenas impulso. Um estilingue gravitacional enviando a sonda mais profundamente no sistema solar.
Por que ir para lá? Para descobrir o que se esconde dentro da Terra.
“Embora estivéssemos confiantes… monitorar o sinal Doppler do DSN… ainda era emocionante”, observou Don Han. “Marte deu à espaçonave um impulso de 1.600 quilômetros por hora.”
Han lidera a navegação no JPL. Os números conferem. O plano orbital mudou cerca de um grau. Agora Psique segue direto para seu alvo no cinturão de asteroides, entre Marte e Júpiter. Chegada? Verão de 2029.
Ângulos estranhos sobre um vizinho familiar
Enquanto acelerava, Psyche ligou suas câmeras. As tarefas de calibração exigiam observar tudo. Câmeras, magnetômetros, espectrômetros – todos dispararam.
O resultado foi estranho.
Aproximando-se de um ângulo íngreme, Marte apareceu como um crescente fino como uma navalha. Não é um disco redondo. Um raio de luz. A luz solar se espalhou pela atmosfera empoeirada, empurrando a borda iluminada para mais longe do que o esperado.
À medida que a espaçonave passava da noite para o dia durante a aproximação mais próxima, ela tirou milhares de fotos rapidamente. Um borrão de dados.
“Este conjunto de dados oferece… oportunidades únicas para chamarmos… as câmeras”, disse Jim Bell, do estado do Arizona.
Bell executa o gerador de imagens. Ele também ajuda com o Mastcam-Z no rover Perseverance. A cooperação ocorreu em ambos os sentidos. Orbital de reconhecimento de Marte? Curiosidade? Até mesmo o orbitador ExoMars da ESA? Todos eles contribuíram com dados atmosféricos. Ajuda a afinar os instrumentos antes que Psyche chegue ao asteróide metálico.
Por que confiar na calibração em Marte?
Porque você testa o equipamento onde sabe como é o assunto.
Antes do Mundo de Ferro
Os magnetômetros podem ter vislumbrado o arco de choque de Marte – aquela barreira invisível onde o vento solar encontra o magnetismo planetário. Os espectrômetros de raios gama e de nêutrons reuniram dados rapidamente, comparando-os com décadas de observações existentes. Dados antigos versus novos olhos.
Agora a costa está livre para o reinício da propulsão.
Os propulsores elétricos solares voltarão à vida. O longo caminho em direção ao asteroide continua. Psyche (o asteróide, não a nave) é larga – 173 milhas de diâmetro. Suspeita-se que seja um núcleo exposto. As entranhas de um planetesimal foram expostas, sobras de quando os planetas se formaram há bilhões de anos.
Uma vez em órbita, a nave passará por várias altitudes. Mapeamento. Medindo. Procurando segredos.
Se esta rocha for realmente o núcleo de um mundo morto, poderemos ver o interior do planeta sem perfurar o centro da Terra. Uma rara janela para a escuridão.
“Podemos agradecer ao Planeta Vermelho… por dar à nossa nave espacial um… estilingue”, disse Lindy Elkins-Tanton. Investigador Principal em Berkeley. “Avante.”
O trabalho pesado
Esta missão não aconteceu simplesmente. É a 14ª escolha do Programa Discovery da NASA. Marshall Space Flight Center gerencia o portfólio. O Centro Espacial Kennedy cuidou do lançamento.
O JPL executa as operações diárias e a engenharia. Eles construíram o cérebro. As Máquinas Intuitivas forneceram a carroceria – o chassi que abrigava aquela poderosa propulsão solar.
A Arizona State University cuida das operações de câmera, trabalhando com o Malin Space Science System. Projeto. Construir. Teste.
Todos os caminhos levam ao cinturão de asteróides agora. O sobrevôo está feito. O combustível é economizado. O alvo está bloqueado.
Reconheceremos o que procuramos? Não saberemos por mais cinco anos.



















