Sempre soubemos que a formação planetária era uma bagunça. Não uma fila ordenada de canteiros de obras, mas uma briga caótica em um disco giratório de gás e poeira.
Agora, os cientistas do Instituto Max Planck identificaram a arena exata.
É uma região em forma de anel fora da órbita de Júpiter. Uma armadilha de poeira.
Ao longo dos últimos dois milhões de anos de juventude do nosso Sistema Solar, este lugar produziu planetesimais. Os ancestrais dos planetas, principalmente, ou talvez dos asteróides.
Júpiter como o Guardião
Pense no Sol nascente. Quente, jovem, rodeado de matéria prima.
Então Júpiter apareceu. Cresceu rápido. Com fome.
À medida que Júpiter varria tudo que estava por perto, ele abriu caminho. Uma lacuna.
Mas a física é estranha. Limpar aquela pista criou uma parede de pressão logo atrás dela. Fora da lacuna.
A poeira que passava pelo sistema atingiu aquela parede e parou. Empilhados. Ficou grosso.
Não eram apenas grãos soltos. Eles formaram seixos. E então aglomerados maiores.
Sabíamos que os seixos podiam transformar-se em rochas. O que não sabíamos é se um local poderia produzir diferentes tipos de rochas ao longo do tempo.
Parece que pode.
“Diferentes tipos de planetesimais aparentemente se formaram… apenas em momentos diferentes.”
— Joanna Drążkowska
As simulações correspondem à coisa real.
Especificamente os meteoritos que caem na Terra. São fragmentos daquelas rochas antigas, congeladas no tempo. Eles quase não mudaram desde o início do Sistema Solar.
A equipe analisou condritos carbonáceos. Pedras ricas em carbono.
Dados laboratoriais dizem que eles se formaram além de Júpiter. Bem ali.
Eles os dividiram em grupos. Seis tipos. Alguns são fracos. Desmorone se você olhar para eles de maneira errada. Outros são difíceis.
A simulação recriou ambos.
Como funciona
Dois milhões de anos não é muito tempo no tempo cósmico, mas é bastante para drama.
A região começou com delicado material empoeirado. Então, chegaram aglomerados estáveis. Esses pedaços resistentes se formaram em áreas mais quentes perto do sol e se espalharam.
Júpiter não gostava de coisas grandes.
O planeta agiu como uma barreira. Ele manteve as partículas estáveis presas naquela zona de alta pressão por mais tempo do que a minúscula poeira.
Com o passar do tempo, a mistura mudou.
Nos primeiros 500 mil anos? A poeira frágil dominou.
Então, à medida que novos planetesimais consumiam algum material e o equilíbrio mudava, as coisas mais resistentes assumiram o controle.
Duas gerações distintas.
Um feito de migalhas macias. Um feito de aglomerados endurecidos.
Os modelos de computador combinaram perfeitamente com os resultados do laboratório. Thorsten Kleine, chefe do MPS, chama os meteoritos de pedra de toque para essas teorias. Sem eles, os Sims seriam apenas suposições.
O que isso significa para nós?
Talvez todos os primeiros planetas tenham tido origens semelhantes. Mesmo CEP, endereço diferente.
Ou talvez o universo simplesmente adore a repetição.
Ainda temos dúvidas sobre rochas ainda mais antigas. Eles se formaram lá também?
A armadilha de poeira é um bairro lotado. 🪐
