Os mares de magma reescrevem a história de Marte

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No subsolo profundo. É aí que está a ação.

Dados sísmicos da sonda InSight da NASA apontam para algo selvagem. Enormes mares de magma costumavam penetrar na crosta de Marte. Estamos falando de oceanos de rocha derretida. Eles se agitaram há bilhões de anos.

Isso muda o manual da história marciana. Isso nos força a repensar o que sabemos. E também pode mudar a forma como vemos a vida em outros planetas.

A pista sísmica

A InSight operou em Marte entre 2018 e o início de 2022. Sua principal função era ouvir. Ouvindo o chão tremer. Os terremotos de Marte acontecem devido a quedas de meteoros ou mudanças internas.

A sonda detectou tremores viajando em velocidades diferentes através de rochas diferentes. A velocidade nos diz a densidade. A densidade nos diz a composição.

Aqui está o que eles encontraram. Uma fronteira clara com 24 quilômetros de profundidade. Acima dessa linha encontra-se uma rocha máfica espessa. Rico em ferro e sílica. Abaixo dela fica uma densa rocha ultramáfica. Cristalino. Esgotado em sílica. Esse material mais pesado se estende por mais 13 quilômetros até o manto.

Duas camadas. Distinto. Separar.

Como eles chegaram lá?

A física simples não explica uma divisão tão clara. A menos que…

As rochas já foram líquidas. Derretido.

Pesquisadores de Oxford executaram modelos geotérmicos. A matemática verifica se a crosta continha enormes bolsas de magma. Como o óleo se separando da água em uma jarra, o pesado ultramáfico afundou. A máfia mais leve permaneceu no topo.

Então tudo esfriou. Congelado no lugar.

Estas não eram apenas poças aleatórias. Eles provavelmente se conectaram por centenas de quilômetros. Pense no Olympus Mons ou no Tharsis não como vulcões isolados. Imagine-os como centros interconectados em uma enorme rodovia magmática.

“Este tipo de magmatismo transcrustal só foi encontrado na Terra”, observou um especialista.

Uma surpresa, certo? Sempre presumimos que Marte era geologicamente chato. Uma tampa estagnada. Um bloco sólido de rocha no topo. Não há placas tectônicas para mexer a panela.

Errado. Evoluiu. No fundo, ficou complicado.

Habitável por design?

Essa complexidade é importante. Mais do que você imagina.

Marte é pequeno. Sua gravidade é fraca. Seu campo magnético morreu. A atmosfera vaza para o espaço como um balão pinhole. A água foi junto.

A menos que o planeta revide.

Esses vastos sistemas de magma poderiam ter liberado gases de efeito estufa. Vulcões respirando carbono de volta ao céu. Manter o planeta mais quente por mais tempo. Manter uma atmosfera espessa por mais tempo.

Jon Wade, de Oxford, disse claramente: “Se Marte pudesse desenvolver esta crosta complexa sem placas tectónicas, talvez as condições de habitabilidade pudessem surgir em mais planetas.”

Até mesmo lugares que descartamos anteriormente. Mundos pequenos. Mundos tranquilos.

De onde veio o calor? Ressurgências do manto. Ondas de calor derretendo a crosta por baixo. Ele imita o que a Terra fez durante o Eeon Arcaico. Bilhões de anos atrás. Antes da formação dos continentes.

Talvez esse calor também tenha moldado Marte. Possivelmente explicando porque o norte é baixo e o sul é alto. Uma dicotomia norte-sul que poderia ter abrigado um oceano antigo.

Riquezas e ruína

Tobermory Mackay-Champion lidera esta nova pesquisa. Ela observa que subestimamos o funcionamento interno do Planeta Vermelho.

“Isso sugere que o planeta poderia sustentar sistemas magmáticos massivos e de longa vida”, diz ela.

Há um benefício colateral. Ou um alvo nas costas.

Esse reprocessamento de rochas arrastou metais para a superfície. Mais riqueza mineral do que esperávamos.

Bom para mineração? Claro. Bom para futuras colônias que precisam de materiais? Definitivamente.

Mas vamos olhar para o lado feio. Empresas de olho em uma mina de ouro que nunca souberam que existia. Pilhando um mundo morto. Explorando porque descobrimos que tem valor.

O magma esfriou há muito tempo. Mas o interesse está apenas esquentando.

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