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Relógio ultrapreciso se aproxima da redefinição do segundo

Pesquisadores na China desenvolveram um relógio de rede óptica de estrôncio tão preciso que poderá em breve forçar uma mudança fundamental na forma como medimos o tempo. Não se trata apenas de relógios melhores; trata-se de redefinir o próprio segundo.

O problema com a cronometragem atual

Durante mais de meio século, o segundo foi definido pelas oscilações dos átomos de césio-133 – um padrão notavelmente estável, mas ainda imperfeito. A rotação da Terra não é consistente. Confiar na duração de um dia para definir o tempo significa que o próprio segundo mudaria sutilmente. Os relógios atômicos resolveram isso, mas os relógios ópticos oferecem o próximo salto em precisão.

Como funciona o novo relógio

O novo relógio utiliza átomos de estrôncio, que vibram em frequências de luz visível, gerando mais de 700 trilhões de “tiques” por segundo. Esta é uma melhoria enorme em relação aos 9 mil milhões de oscilações do césio. Os investigadores do USTC alcançaram uma incerteza de 9,2 x 10-19, o que significa que o relógio só perderia um segundo depois de funcionar durante cerca de 30 mil milhões de anos – mais do que a idade actual do Universo.

Este nível de precisão não é apenas teórico. Isso abre portas para novas possibilidades científicas, incluindo pesquisas mais precisas de matéria escura e medições precisas do campo gravitacional da Terra.

O caminho para a redefinição

Para que o segundo seja oficialmente redefinido, pelo menos três relógios ópticos que atendam a rígidos padrões de precisão precisam operar em instituições diferentes. O relógio USTC junta-se a dois outros relógios baseados em estrôncio e dois relógios de íon de alumínio que já atingiram esse marco.

A decisão cabe à Conferência Geral de Pesos e Medidas (CGPM), que se reúne a cada quatro anos. Embora a reunião de 2024 não conte com a redefinição, uma proposta para a nova norma é esperada até 2030, com uma data para implementação a seguir.

“Este desempenho atende ao requisito de precisão de relógio único de 2 x 10-18 para redefinir o segundo SI, com aplicações potenciais em geodésia relativística e pesquisas de matéria escura de alta resolução”, escrevem os pesquisadores.

O movimento no sentido de redefinir o segundo não é apenas um ajustamento técnico; é um reconhecimento de que as nossas ferramentas mais precisas exigem agora uma definição de tempo mais estável e universal. Irá remodelar a forma como medimos a realidade no seu nível mais fundamental.

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