Uma nova terapia genética inalável para o câncer de pulmão recebeu revisão acelerada pela Food and Drug Administration (FDA) dos EUA, após resultados promissores de ensaios clínicos iniciais. O tratamento representa uma mudança significativa no tratamento do cancro, modificando diretamente as células pulmonares para aumentar a sua capacidade de combater tumores.
Abordagem inovadora: entrega pulmonar direta
As terapias genéticas tradicionais envolvem frequentemente a administração sistémica – através de injecção intravenosa ou consumo oral – tornando difícil atingir concentrações terapêuticas nos pulmões. Esta nova abordagem contorna esses obstáculos, administrando a terapia diretamente no tecido afetado por inalação. Esta entrega direcionada é crítica porque a alta taxa de mortalidade do câncer de pulmão se deve parcialmente ao fato de os tratamentos não conseguirem atingir o local do tumor de forma eficaz.
Como funciona: aproveitando um vírus modificado
A terapia utiliza um vírus do herpes modificado, tornado inofensivo e incapaz de se espalhar, para transportar dois genes-chave para as células pulmonares: interleucina-2 (IL-2) e interleucina-12 (IL-12). Esses genes codificam proteínas que suprimem naturalmente o crescimento do tumor, mas as células cancerígenas muitas vezes os esgotam como mecanismo de defesa. A terapia genética restaura a produção dessas proteínas diretamente no microambiente tumoral.
Resultados de Ensaios Clínicos: Redução e Estabilização de Tumores
Os ensaios iniciais envolvendo pacientes com cancro do pulmão avançado que tinham esgotado outras opções de tratamento mostraram resultados encorajadores. Num estudo apresentado na Sociedade Americana de Oncologia Clínica, a terapia reduziu o tamanho do tumor em três dos onze pacientes e estabilizou o crescimento em outros cinco. Embora alguns pacientes tenham apresentado efeitos colaterais leves, como calafrios ou vômitos, não foram relatadas preocupações graves de segurança.
“De forma muito encorajadora, a hipótese foi comprovada – que houve realmente uma redução dos tumores nos pulmões”, afirmou Wen Wee Ma, da Cleveland Clinic, investigador principal do projecto.
Revisão acelerada da FDA: Por que é importante
A “designação de terapia avançada de medicina regenerativa” da FDA acelera o processo de revisão, permitindo potencialmente que os pacientes tenham acesso a este tratamento inovador mais cedo. Esta designação reconhece o potencial da terapia para responder a uma necessidade médica não satisfeita – o cancro do pulmão avançado com opções de tratamento limitadas. Essa medida ressalta a disposição crescente da FDA de acelerar novas terapias que se mostram promissoras desde o início.
Direções futuras: expansão de aplicativos
Atualmente, a terapia é mais eficaz contra tumores confinados aos pulmões. Os pesquisadores estão agora explorando combinações com imunoterapias e quimioterapias existentes para tratar casos em que o câncer sofreu metástase. A empresa por trás da tecnologia, Krystal Biotech, também está desenvolvendo terapias genéticas inaláveis semelhantes para fibrose cística e deficiência de alfa-1 antitripsina, demonstrando a ampla aplicabilidade desta abordagem.
Este desenvolvimento representa uma mudança de paradigma no tratamento do cancro, avançando para terapias direcionadas e localizadas que maximizam a eficácia e minimizam os efeitos secundários sistémicos.



















