Os astrónomos estão a aperfeiçoar os seus métodos de detecção de inteligência extraterrestre, medindo com precisão como o espaço interestelar distorce os sinais de rádio. Uma nova pesquisa do Instituto SETI revela que mesmo as mais pequenas variações no tempo do sinal – na escala de bilionésimos de segundo – causadas pelo gás entre as estrelas, podem afetar significativamente a precisão das medições cósmicas. Isto é crucial não apenas para a astrofísica, mas também para distinguir sinais alienígenas genuínos de ruídos produzidos pelo homem.
O “brilho” do espaço interestelar
O estudo, liderado por Grayce Brown, centrou-se no pulsar PSR J0332+5434, uma estrela de neutrões em rotação rápida a mais de 3.000 anos-luz de distância. Ao rastrear mudanças nos sinais de rádio do pulsar ao longo de dez meses usando o Allen Telescope Array na Califórnia, a equipe observou um fenômeno conhecido como cintilação.
A cintilação é o equivalente em rádio de como as estrelas parecem brilhar devido à atmosfera da Terra. No espaço, as ondas de rádio dos pulsares passam através de nuvens de gás carregado (elétrons livres), que curvam e espalham o sinal, causando pequenos atrasos no tempo de chegada. À medida que a Terra, o pulsar e o gás se movem um em relação ao outro, estas distorções evoluem, alterando o tempo do sinal em apenas dezenas de nanossegundos.
Por que isso é importante: ondas gravitacionais e SETI
Estes atrasos aparentemente insignificantes têm implicações importantes para duas áreas principais de investigação:
- Detecção de ondas gravitacionais : matrizes de temporização de pulsares procuram ondas gravitacionais de baixa frequência procurando desvios correlacionados nos tempos de chegada dos pulsos. Se as distorções do gás interestelar não forem levadas em conta, elas podem obscurecer ou até mesmo imitar os sinais fracos que os pesquisadores procuram.
- A Busca por Inteligência Extraterrestre (SETI) : Distinguir entre sinais cósmicos genuínos e interferência terrestre é um grande desafio. Os padrões de cintilação podem ajudar a identificar sinais originados fora do nosso Sistema Solar.
“Se não vemos essa cintilação”, explicou Brown, “então o sinal é provavelmente apenas uma interferência da Terra.”
Refinando o Relógio Cósmico
As observações quase diárias da equipe (quase 400 no total) permitiram mapear as mudanças sutis nos padrões de cintilação ao longo de centenas de dias. Embora não tenham sido encontrados padrões repetidos, os investigadores sugerem que a monitorização a longo prazo poderia refinar ainda mais as previsões e melhorar as correções para a distorção interestelar.
O esforço mais amplo incluiu a monitorização de cerca de 20 pulsares ao longo de um ano, com base numa fase piloto a partir do final de 2022. Este trabalho contínuo é vital para melhorar a precisão das medições cósmicas e aumentar as hipóteses de detetar ondas gravitacionais ténues e sinais potenciais de outras civilizações inteligentes.
Em última análise, compreender como o espaço interestelar altera os sinais de rádio não é apenas um exercício de astrofísica; trata-se de afiar nossos relógios cósmicos para ouvir os sussurros mais fracos do universo.
